Fornalha... em brasas e grandes labaredas... num fogo que queima e não consome... que causticantes ferve e não corroem... que aniquila mas não mata... que traz lágrimas e sorrisos... calma abundante e desespero... bálsamo e dor... refrigério e calor... calma e inquietude... esperança alento... bem estar e fúria...

Torna-se em desejos ricos em pureza... como inefável e sagaz... apertando como duas grandes montanhas entre ele se batessem... este coração dolorido... essa vontade de gritar... o afogamento desesperado do grito que asfixia e não sai... da palavra retida e presa... da solidão deste pensamento... tirano e inconseqüente... um holocausto oferecido aos deuses... deuses que nada fazem... calados e impotentes... diante da imperiosidade deste meu ser...

Confessando diante de um confessionário secreto... onde o padre é meu destino... sua palavra os meus sentimentos... o confessionário as paredes gradeadas de meu peito... com cadeados e correntes largas grossas... sediado a um coração fervente... nos olhos secos e infinitos... numa imensidão de galáxias... ou dentro da mais pequena molécula ou fragmentos de átomo...

Porque dor não tem tamanho... e a angústia ocupa o universo... só tu amigo e branco papel... com os rastros que as palavras vão deixando... descreve esta grande caminhada... numa viagem encontrada na vida... não paro só... tu sabes... porque o amor é secreto... vai leva a minha amada... talvez você que agora me lê... ou a outra que macerada pelos anos passados...

Tire da bolsa este papel... roto amarelo e desgastado pelos desenganos... ou feliz porque encontrou no refugio outro amor... possa na sua velhice sentir... que não viveu de tristeza e no seu refugio alugado... o fogo não consumiu... porque era ouro puro... que o fogo não queima... e esse ouro transforma-se... numa coroa enfeitada... de finíssimas pedras preciosas... no cantinho de seu peito guardado... tem a coroa do Rei.

Amo Você!

Sincero... o Único