
Quem
sou? um louco... tolo... desequilibrado?
Procurei na existência alguém que nem sequer
existe... foram-se anos... meses... dias e noites... que
gargalham...
Sim gargalham da estupidez de alguém que pensa
que existe... dentes dantescos soam e ecoam nas montanhas
num ruído infernal... ferino... imagens satânicas
se criam do nada... o inocente pensa que vive... como
se a vida existisse... festejam o funeral daqueles que
criaram...
Não! não existimos... é tudo muito
funesto a medonha imagem... o eco do sorriso marcando
o tempo... porque vivendo teria uma hora marcada... eco
macabro, que percorre a terra...
Não te enganes... florindo as árvores, correndo
o rio... enchendo o mar... o vazio da noite... os pingos
da chuva que caem gemendo nas folhas das árvores...
Pensamos que vivemos... nas profundezas dos olhares...
vejo que não existem... olhe no fundo da existência...
as flores nascendo... o choro do esquecimento findado...
não houve... não foi... não existiu...
Vida! onde está este ser?
Senão naquela Morada... onde te ensinei o caminho...
leve contigo as pessoas que sabem de nos... elas serão
testemunhas... sei que não acreditas... mas lá
encontrarás a mim...
Não te consolo pois estou inconsolável...
como pude sonhar e não acordar... se um dia eu
vier a despertar e lembrar que sonhei...
Vida! estarei feliz e viverei deste sonho.
Eu não existo!