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Ouço... é divino... gente
em alvoroço... passos... danças... taças...
uma orquestra que toca... o luxuoso salão... noite
de festa... donzelas em desfiles o amor... os desejos... olhares
se cruzam e falam... no silencio da noite... lá fora
no verde e gramado jardim... o convite com o timbre do piano
se distanciando... vozes se apagando... agora violentamente
tomados... com seu vestido luxuoso...
E eu num terno de gala de mãos dadas sorria maliciosamente...
fomos nos distanciando... as cores penetrantes de luzes no
salão... enquanto um outro casal acantonado numa gruta
secreta onde jorra uma fonte luminosa... lampejando aos olhos
de outros amores... nas janelas ofuscam suas vistas... escondendo
o aperto de nossas mãos...
Caminhando e olhando dentro de nos mesmos... vemos refletir
nossas imagens... que alegria... sondamos os pensamentos enriquecidos
ainda da harmonia musical... enxergamos, sim enxergamos!!!
mesmo com os olhos fechados e o coração palpitante...
A voz dos desejos... puros e não maldosamente planejados...
mas aconchegantes e perenes... algo como pisar sobre um piso
de algodão... na maciez melindrosa de corpos sensíveis...
buscamos encurtar a distância...
Meus braços trazendo-a pela cintura... no dobrar de
seu corpo... entregas-te carinhosamente...o piano ainda toca...
solenemente entra um violino...enquanto nossos rostos se unem...
buscando como o beija flor seu sustento...
Não!!! É demais... à medida que nossos
lábios se unem o saxofone chorando... outros casais
sonhando a nosso lado... os olhos se fecham languidamente
ansiosos... minha boca enche-se com seus lábios divinos...
a língua trôpega busca a sua...
Seus seios tocam em meu peito... as caricias... enquanto no
salão... restos de festas se espalham... somente o
verde gramado que pisamos e a lua cheia no céu... desenhando
esqueletos dos galhos de árvores e o perfume da dama
da noite...
São testemunhas aladas de nossos corpos agora sobre
a grama... e o grande desejo que seja apenas o princípio
do Universo de Amor que navegamos... entre as estrelas e o
céu... nunca mais volvendo a esta terra... onde as
tristezas e as amarguras... nunca mais serão sentidas!
Sincero... O
ùnico
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