Isso!
Era isso mesmo... foi como o primeiro amor da adolescente
sonhadora... aquela paixão louca... norteada nos
princípios da inocência... na mudez da sabedoria...
na escuridão intrépida e depurante que não
muito longe se encontrava...
É a menininha da escola...com seus seios durinhos
brotando... orgulhosa porque vai a um shoping comprar seu
primeiro sutiã... sutiã para resguardar o
que... esconder o que ainda não existe... mas garbosa
andando com trejeitos femininos e maduros... passando fazendo
desapercebida dos assobios e galanteios lançados
como um exército fraco diante de uma poderosa bomba...
bomba que a mesma representa na cabecinha oca com olhos
imaginários... como uma princesa vê o princípio
de um príncipe que nunca será rei...
Desejos ardentes... pedidos glamorosos para que o dia chegue...
dia este que debruçados à janela... ou no
arrojado e desenfreado festim das portas das igrejas...
apimentados com quentão... desvairados esses pedidos
oprimem... desencantam... porque o príncipe não
pode saber... metida no orgulho pujante de não ser
dominada... e na inocência estúpida que a faz
sofrer... quantos aninhos?...
Quase trinta... pude ver seu sofrimento... e num orgulho
estúpido... mas encorajado pelo saber experiente...
sofrendo a mesma dor... sentindo os massacres culminantes
de uma penetrante e pontiaguda arma do esgrima... lascando
o peito arrancando dores terríveis... onde no lugar
de sangue corria a angustia... palavras temíveis...
e quebrantes destilavam de minha boca...
Sem nenhuma vontade de falar... porque o meu desejo era
que aquela menina mulher de trinta ou quase trinta... debruçada
no dedilhar do teclado... olhos iluminados por um amor transtornado...
a tornava mais puro que seu próprio filho... que
angústia... que dor... maltratada pela saudade...
pelo querer ardente de tocar naquele que amava... distava
de muitos km...
Numa cidade grande e apertada pelos dissabores... inquietados
de um homem jurando amor... querendo possui-la... enquanto
que ela na outra ponta da rede... lamentava e se entregava
a delírios loucos... que foram matando-a pouco a
pouco... e num fatal momento... lamuriou... preciso de teus
ombros... e com a pujança de valente e encorajado
soldado... sem dó e piedade o ombro desse soldado
foi descortinando... e mostrando um abismo sorrateiro...
bancava uma vida...
Vida vivida... e pouco sonhada... mas real e inocente...
pude ver as lágrimas que corriam de seus olhos...
queria chorar junto... mas era soldado... e soldado que
chora é covarde... o desencanto chegou... o príncipe
não pode ser rei... e talvez aqueles seios já
não eram tão eretos como da menina do shoping
agora... de quando em quando restam lembranças daquela
Av. Paulista em São Paulo ou outra qualquer... de
um passado não mui distante...
Onde o dedilhar do teclado... os olhos fitos no monitor...
já não espera mais uma mensagem... do veneno
de um amor perdido... mas da sensatez de um lar unido...
ainda que respaldos ficaram ainda que o frio corre no corpo
com lembranças... os momentos de amor vivido... agora
trocados por um amor vivendo sobre os destroços dos
carinhos perdidos... a mulher menina vivendo num mundo real
e passivo... talvez ainda sonhe... e seu sonho já
não é um pesadelo!

Autor: sincero... o Único
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