De
onde vem... aqui chegou... explique-se... invasor intolerável...
tirando a quietude de meu ser... como?... tenho portas travadas...
e neste cubículo do ego... atreves-te... sem ser
convidado... que buscas?
Deixa-me levando contigo as malas e mochilas... que pesam
sobre meus ombros... quero ficar vazio... quero sentir por
um momento... como um homem que não tem amor... que
sua amada não sofre com a ausência... que seu
coração não esteja também preso...
e a liberdade reinando a faça esquecer um largo sorriso...
Rosto feliz resplandeça de sua face... não
tens piedade... e como macabro noturno manténs-me
preso a esta terra... não... solte-me... quero como
uma ave de rapina alçar um vôo livre que me
eleve aos altos montes... contemplar a natureza divina...
hora viajando sobre as matas e florestas... hora sobre as
ondas do mar... quero ver o fogo ardente nos folguedos juninos...
As meninas dançando com saias rodadas... o quentão
cheirando... vamos depressa... antes que a madrugada chegue...
e ela ou elas... Busquem-me... arranque este elo maldito...
não vê que quero voltar ao passado... e nas
noites tranqüilas dormia como um menino... sonhando
empinado pipas... deixe comigo as asas da águia...
o vento de correntes subindo... os olhos aguçados
e potentes...
Quero chegar as estrelas... beijar lua resplandecente...
porque lutar contra ti... ó sentimento ingrato...
que jogas em duelo as que me amam... e eu não as
quero vê-las sangrando... luto... em vão para
separa-las... debatem-se e cada lança atirada...
alveja este coração dolorido... vês
sentimentos se te honras... e na hombridade ferrenha aparta
esta guerra infame...
Levando-me verei do alto o abraço... de amor no lugar
das lanças... daquelas desatinadas... que esquecem
que quero o vazio... empenhando para o fim da luta... porque
sou quinhão irrepartível... não me
poupam... não seja a espada cortante... dividindo-me
em pedaços...
Para que se acabe o pranto... daquelas que por mim pranteiam...como
apareceste sumiste... sorri... ao vê-las felizes nas
festas festejando com seus amados... e nem lembrando que
existo!!!

Autor: Sincero... o Único