Este velho... pobre... maltrapilho... abandonado
Jogado... em meio ao lixo... num catre velho
Suspira é feliz... sorri... e nele deitado
Sonha e canta... hinos dobram os artelhos.

Doente... moribundo... cercado de anjos
Antevendo... murmurando... espera a partida
Longe de filhos... esposa... amigos... só arcanjos
Que lhe assiste... solenemente... o final da vida.

Teve uma amiga... que não suportou o peso
Conheceu-a... e juntos..carregavam uma cruz
O tem agora como mendigo... vê com desprezo
Olha-o com piedade... como néscio e sem luz

Deve ter a seu lado... conforto... riquezas... um amado
Ficou livre... como pássaro voa... e tem esquecido
Voe e ame... pássaro solto... livre e abençoado
Deixa o velho... também sonhando... embevecido

No colchão roto... saltitando... regozijando esperança
Vê o céu aberto... o fim depressa em desenvoltura
Ainda enxerga... busca a amiga na lembrança
A alma sobe... cantando...o corpo desce a sepultura.



Sincero... o Único